sexta-feira, março 04, 2005

sonhador


Gostava de ver a pintura renascer em fragmentos de energia adventes de todo e qualquer ser vivo num só. Gostava de ter a força para o concretizar. Gostava de conseguir gostar de tudo e de todos os que rodeiam e respiram o mesmo ar que eu. Gostava da vida madura ao início e madura no fim e assim conseguir acreditar que era possível gostar, mas de uma forma que o tornasse possível como a água límpida que sai de uma nascente. Gostava que todos os pôr-do-sol podessem ser partilhados, sentidos e emanados por toda a gente. Gostava que nada disto me soasse a um lugar comum de mim mesmo. Gostava de poder ter o direito de ainda não saber resultados desportivos para fazer conversa. Gostava também que a utilização da palavra gostar fosse degustada por ti também. Gostava que o camarada fosse um gosto de pessoa para sempre. Gostava que tudo o que foi sentido enquanto escrito fosse tão simples de sentir como uma bailarina em pontas na tua frente. Gostava de sentir o vento nas costas e a incógnita pelo peito dentro de um paraíso com passáros de cores. Gostava que a cor fosse por si só uma fonte de inspiração e se pudesse exportar de Portugal. Gostava que Portugal por si só, tivesse um si de inspiração multicultural pela qual lutou um dia. Gostava que o azul do imenso oceano tivesse uma leitura diferente para todos. E a sua explicação, por parte de cada um fosse passível de discussão e entendível por todos. Gostava que tudo o que sinto de positivo pudesse ser contagiado imediatamente e em todas as direcções. Bum! Gostava que a utilização de armas e a sua venda fosse associada ao conceito pré-adquirido de “terceiro mundo”. Gostava de ver um mundo mais azul em que o mar tem de ser visto por todos. Gostava de te ver como tu, liberto de fantasmas elásticos presos a um passado terâpeutico.
Gostava de ter um ferrari amarelo e amar uma loura burra sem acordar dorido ou morrer de cancro. Gostava de ir ao espaço na fase do elevador para puder ir vestido com chanatas no pé e calçonito á turista que gosta de se despir a torto e a direito. Gostava que os Xutos & Pontapés fossem o hino no século passado e que neste se ouvisse Carlos Paredes ecoando com beat em todas as encostas. Gostava que as paredes ouvissem os cantares das encostas verdes. Gostava que responsabilidade não pudesse ser sinónimo de grilhetas emocionais. Gostava que as várias formas de arte fossem as antenas das formigas. Gostava de aprender com as formigas e com simples facto de elas que elas aprendem comigo. Gostava que a pele do tigre só fosse um padrão. Gostava que o marfim fosse para museus como anti-exemplo. Gostava que o tempo, como o vento passasse e refrescasse. Gostava que os radicais livres fossem para o caralho que os fodessse e que para sempre pudesse ver filmes sem me cortarem a cabeça. Gostava que não doessse e fosse rápida. Gostava de ter plantado campos e campos e montes e vales de dentes de leão “que como uma grande foda” se dessiminassem em todas as direcções e se multiplicassem. Gostava de ter a liberdade para fazer o que estou a fazer em toda e qualquer circunstância. Gostava que este texto fosse mais curto do que é e toda esta informação pudesse ser passada por telepatia. Gostava que todos os dias aguentasse a descarga que estou a gostar de ter. Gostava de puder ver tudo a preto e branco quando me apetecesse. Gostava que a luz controlasse o meu controle. Gostava de ouvir melhor para puder sentir o mar. Gostava que o presente fosse um baseado em pressupostos passados e neles se projectacta-se um futuro melhor. Gostava que algumas coisas que escrevo não me lembrassem debates em prime-time e colagens de imprensa. Gostava que nada do que estou a escrever fosse analisado e subvertido em função de ideologias com as quais discordo. Gostava que a democracia, a inteligência ambiental e os direitos humanos fossem de borla. Gostava que uma útil critíca, gramática, ortografia, modismo e a retórica deixassem viver todas as culturas e sub-culturas populares em uníssono. Gostava que ninguém tivesse a veleidade de pensar que eu tenho ou quero ter uma cor ou objectivo em detrimento do que somente instinto que devo dizer neste momento.Gostava que, desde que se identificassem, pudesse ser um modem de todos os que acharam que ainda têm algo construtivo para legar. Gostava de ser um astro mas não posso, sou uma particula incontornavelmente influenciada por elipses. Gostava que religião fosse um fórum de aprendizagem e permuta. Gostava que Jesus voltasse e desse um concerto chamado Jesus Aid for the Mad Ball com todos os músicos ao mesmo tempo e o bilhete fosse de borla em directo e inde ferido. Gostava que o som estivesse porreiro. Gostava que a escrita à mão não fosse tão lenta como a prateleira côr-de-rosa das novidades da fnac. Gostava de reter todos os olhares de todas as crianças para sempre e que a palavra pedófilo não viesse de fraque preto por culpa de baldes de merda. Gostava que acartar 450 baldes de massa ou plantar e cuidar de 450 árvores fosse tão digno de respeito como os 450 beijos em um minuto de campanha para as legislatívas. Gostava que os líderes de opinião tivessem uma opinião. Gostava que quem tem opinião a desse orgulhosamente e por motivação intimamente própria. Gostava que estas mensagens fossem consideradas por todos como um acto normal, construtivo, sensato, coerente, maduro, alcoolicamente aceitável, reconhecível e oleado pela sua simples motivação de existir. Gostava de não ter percebido só hoje que bater em teclas fazendo conjuntinhos é simples, rápido, dá milhões e de que mais vale uma imagem do que uma palavra. Gostava de acreditar que a soma, pressuposto básico da Matemática - “mãe arquitectónica de todas as coisas”, quando adicionado: texto + imagem; - é uma forma de expressão milenar que, pela pila + pipi, dão as suas sementes de dente de leão. Gostava de gostar que tu gostasses que eu gostava que tu gostasse o que eu gostava. Gostava, ocasionalmente, de gostar do que gostam muito e só. Gostava que toda a gente gostasse de si mesma num contexto global e sem problemas de enquadramento. Gostei de ler o que escrevi. Gosto de acreditar que o gosto tem sabor de vida.

Comments:
Este texto é lindo e surpreendente, sobretudo pela quantidade de "gostava" que volvidos 7 anos se tornaram realidade tangível. A tenda está longe de ter ardido, mas brevemente será muito necessária.

Abraço sem truques,
 
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